Voltar para Notícias
·Tarologuei

Sim ou Não: como fazer a pergunta certa para uma carta só

Sim ou Não: como fazer a pergunta certa para uma carta só
Uma carta só é o menor formato do tarô e o mais mal usado, porque parece uma moeda. Não é: a moeda dá a resposta, a carta dá a resposta e o motivo. Este guia ensina a escrever a pergunta que cabe numa carta (fechada, um assunto, você como sujeito, um prazo), mostra como as 78 se inclinam para o sim, para o não e para o 'ainda não', o que a carta invertida faz, e monta três consultas completas. No fim, o sinal de que uma carta não basta.

Uma carta só. É o menor formato que existe no tarô e o mais mal usado, porque parece uma moeda: cara ou coroa, sim ou não, e pronto. Não é. Uma moeda dá a resposta e nada mais; uma carta dá a resposta e o motivo, e o motivo é a parte que serve. Este texto ensina a fazer a pergunta que cabe numa carta, mostra como as 78 se inclinam para o sim, para o não e para um terceiro estado que a moeda não tem, e monta três consultas completas do começo ao fim. No final, o critério para saber quando uma carta não basta e é hora de tirar três.

O que uma carta só consegue responder

Uma carta responde bem a uma pergunta que tenha quatro propriedades: é fechada, tem um assunto só, tem um sujeito que é você e tem um prazo. Fechada quer dizer que admite sim ou não como resposta; "o que faço da minha vida" não é fechada, "aceito a proposta que recebi" é. Um assunto só quer dizer que não há "e" no meio: "mudo de emprego e de cidade" são duas perguntas disfarçadas de uma, e a carta vai responder a uma delas sem avisar qual. Sujeito você quer dizer que a pergunta é sobre a sua decisão, não sobre a de outra pessoa; a carta não sabe o que o outro pensa, mas sabe o que você está prestes a fazer. E prazo quer dizer que a pergunta acontece em algum lugar do tempo: "esta semana", "antes do fim do mês", "nesta conversa".

Quatro exemplos, dois de cada lado:

Ruim: "Ele vai me procurar?" Sujeito errado, e sem prazo. Boa: "Vale eu procurar ele esta semana?"

Ruim: "Devo mudar de emprego e de cidade?" Dois assuntos. Boa: "Aceito a proposta de trabalho que recebi ontem?" A cidade vira outra pergunta, depois.

Ruim: "Tudo vai dar certo?" Aberta, sem assunto, sem prazo. Boa: "Fecho o contrato com esse fornecedor até o fim do mês?"

Ruim: "Ela gosta de mim?" Sujeito errado. Boa: "Insisto nessa conversa que travou?"

Repare que a versão boa é sempre sobre um gesto seu, com data. É o que uma carta consegue segurar.

Como escrever a pergunta, na prática

Uma regra que ajuda: escreva a pergunta e leia em voz alta imaginando que a resposta é "não". Se o "não" soar como catástrofe, a pergunta está grande demais para uma carta; divida. Se o "não" soar como informação, está do tamanho certo. "Aceito a proposta?" com resposta não é informação: você continua onde está e olha outras. "Vou ser feliz?" com resposta não é catástrofe, e não é pergunta de tarô, é pergunta de vida.

Outra: troque o verbo de estado pelo verbo de ação. "É uma boa ideia?" pergunta sobre a ideia, que não está na mesa. "Faço isso?" pergunta sobre o gesto, que está.

Sim, não, e o terceiro estado

Não existe no manual de Waite uma tabela de cartas que dizem sim e cartas que dizem não. O que existe é uma convenção de prática, mais recente que o baralho, construída sobre o que cada carta desenha. Ela funciona porque as gravuras têm direção: umas mostram o gesto concluído, outras o gesto interrompido, outras a espera. É isso que se lê.

Inclinam para o sim as cartas em que a cena está aberta e o movimento já começou. O Sol, com a criança a cavalo e o girassol ao fundo, é a carta mais afirmativa do baralho. O Ás de Paus, a mão que sai da nuvem segurando um bastão que brota, é a faísca que já pegou. O Dez de Copas, a família sob o arco-íris, é o arranjo que fechou bem. O Mundo, a coroa de louros em círculo, é a conclusão. As cartas de Copas e de Paus, em geral, pendem para cá.

Inclinam para o não as cartas em que a cena fechou mal ou o caminho está bloqueado. O Dez de Espadas, com as dez lâminas nas costas e o sol nascendo atrás, descreve o fim que já aconteceu: não é hora de insistir. O Cinco de Ouros, dois mendigos na neve passando diante de uma janela iluminada, é a falta e o frio. A Torre é a estrutura que não se sustenta. O Nove de Espadas, a pessoa sentada na cama com o rosto nas mãos, é a preocupação que não deixa agir. Espadas, em geral, pendem para cá, e nem por isso são cartas ruins: um não a tempo é a resposta mais útil que existe.

E há o terceiro estado, o que a moeda não tem: ainda não. São as cartas da espera e da escolha suspensa. O Dois de Espadas, a mulher vendada com duas lâminas cruzadas sobre o peito, não diz não; diz que você ainda não olhou. O Enforcado, pendurado por um pé e sereno, diz que o assunto precisa de uma pausa antes da decisão. O Quatro de Espadas, a figura deitada em repouso, diz que a resposta vem depois do descanso, não antes. O Sete de Copas, sete taças no ar e nenhuma escolhida, diz que há opções demais e nenhuma decidida. Quando uma dessas sai, a resposta honesta é: pergunte de novo daqui a uma semana, e pergunte diferente.

A carta invertida numa pergunta de sim ou não

No Tarologuei, cada carta tem 50% de chance de sair invertida, como num baralho de madeira, e a invertida tem arquivo e leitura próprios. Numa pergunta de uma carta, a inversão faz duas coisas possíveis. Numa carta de sim, costuma adiar: o Ás de Paus invertido é a faísca que ainda não pegou, e a resposta desliza para o "ainda não". Numa carta de não, costuma aliviar: o Dez de Espadas invertido é o fim que já passou e está sendo deixado para trás, e o não perde peso. A inversão raramente troca o sim pelo não; ela move a carta um passo na direção do terceiro estado.

Três consultas completas

Primeira. A pergunta: "Aceito a proposta de trabalho que recebi ontem?" A carta: Ás de Paus, direito. A leitura: sim, e sim com pressa. A mão que segura o bastão sai da nuvem já com folhas brotando; é a carta do começo que tem força própria. O motivo, que é o que a moeda não daria: a proposta é um começo, não uma continuação, e a carta descreve o começo como coisa viva. O que a carta não diz: se o salário é bom. Isso é conta, não tarô.

Segunda. A pergunta: "Insisto nessa conversa que travou?" A carta: Dois de Espadas, direito. A leitura: ainda não. A mulher vendada, sentada de costas para o mar, mantém as duas espadas cruzadas e não se move. Não é recusa; é suspensão. A carta descreve alguém que ainda não olhou para o que precisa ser olhado, e insistir agora é insistir com quem está de olhos vendados. O passo que a carta sugere é anterior à conversa: tirar a venda, ou seja, entender o que você mesmo ainda não quer ver.

Terceira. A pergunta: "Fecho o contrato com esse fornecedor até o fim do mês?" A carta: Cinco de Ouros, invertido. A leitura: o não perdeu peso, mas não virou sim. A carta direita descreve a falta, o frio, os dois que passam pela janela iluminada sem entrar. Invertida, descreve a falta que começa a ser reparada. Na pergunta, isso vira: as condições ainda são de escassez, e estão melhorando. Fechar até o fim do mês é cedo; a carta pede que o prazo seja outro, não que o fornecedor seja outro.

Nas três, a estrutura da resposta é a mesma: a inclinação (sim, não, ainda não), a gravura que a sustenta, e o motivo. Quem tira uma carta e lê só a inclinação usou um terço da carta.

Quando uma carta não basta

O sinal é o "mas". Se, ao formular a pergunta, você precisa de um "mas" para explicá-la, o assunto tem dois lados, e uma carta não segura dois lados. "Aceito a proposta, mas ela paga menos do que eu ganho hoje" já pede Três Cartas: Passado, Presente e Futuro, 5 créditos, para o "mas" ter onde morar. E se o assunto tem vários "mas", é caso de Cruz Celta, com dez posições, uma para cada. O critério não é a importância da pergunta; é o número de lados que ela tem.

Como acontece no Tarologuei

A tiragem de uma carta chama-se Sim ou Não e custa 3 créditos. Os 10 créditos de boas-vindas dão três perguntas de uma carta, com um crédito de sobra, ou uma Três Cartas e uma Sim ou Não. Você escreve a pergunta, a carta sai virada para baixo, você a vira, e a leitura chega escrita na voz do tarólogo que escolheu: a inclinação, a gravura, o motivo, e no fim a sugestão de por onde continuar, se a pergunta pedir mais.

Vale dizer com todas as letras, porque transparência faz parte do serviço: as leituras do Tarologuei são escritas por inteligência artificial a partir das cartas sorteadas, das posições e da pergunta de quem consulta, e existem para reflexão, autoconhecimento e entretenimento.

Se você quiser testar o formato, escreva uma pergunta agora com as quatro propriedades: fechada, um assunto, você como sujeito, um prazo. Crie sua conta em tarologuei.com.br, receba os 10 créditos de boas-vindas e tire a carta. Depois leia o motivo antes da inclinação. É ali que a moeda perde.

Fonte: Tarologuei